Praça da Sé

São Paulo, 2011

A construção do metrô, na década de 1970, desarticulou a praça Clovis Beviláqua, construída anteriormente com a demolição de uma quadra em frente ao atual Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, onde estavam o Palacete Santa Helena e o edifício Mendes Caldeira. Criou-se, então, um único espaço, um espaço órfão.

 

No seu texto Arquitetura Para o Terceiro Milênio, Flávio L. Carsalade afirma que “a leveza da arquitetura está na sua forma de alçar vôo, mas com raízes profundas no solo em que se instala.” Mas o desenho fruto da intervenção do metrô é inapropriado e incoerente.Conformado por dois vazios, área imensa, não se lê um nem outro. Na estrutura da praça era legível há a subordinação do espaço público ao subterrâneo. Esta escolha levou a rigidez excessiva dos espaços, a falta de uma estrutura que favoreça a circulação e a fruição dos mesmos pelos pedestres.

Propomos a mesma descoberta e surpresa propiciada pelo desenho das vias e tipologias tradicionais no interior do edifício, partindo da elevação de duas plantas de quadras do entorno da Sé, com a projeção das edificações e a divisão fundiária (GEGRAN), nas fachadas laterais e extrudando as geometrias resultantes, formando volumes internos e os ligando sem uma lógica definida com as circulações internas, além de dividir os usos fragmentadamente nesses volumes internos, a fim de propiciar uma circulação cruzada de usuários no seu interior.

Não se quer meramente reproduzir a volumetria das quadras históricas, mas sim propor algo que remeta a elas enquanto experiência espacial, desenho urbano e, portanto, experiência humana e social.

A proposta pretende ser um discurso que possibilite cidadania, o reconhecimento no outro por meio do espaço coletivo. O partido do projeto lê as coexistências da cidade e encontra no desenho das quadras a reprodução desta dinâmica espontânea, transformando os limites dos lotes em volumetrias e fachadas.

A multiplicidade e disposição destes ambientes favorecem e influenciam atos cidadãos: para habitar e transitar pelo espaço projetado, necessita-se ver e conviver com o homem e sua diversidade.

Equipe: Luiz Gustavo Sobral Fernandes, Andre Luis dos Santos, Felipe Alves, Renan Bussi machado e Paulo Scheuer

Imagens: Felipe Alves

Projeto Premiado

Destaque

IX Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo

2011

Publicado

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