Projeto UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE

Local: Paraíba

Ano: 2019

Equipe: Luiz Gustavo Sobral Fernandes

Colaboradores:

Francesco Giannelli e Lucas Santos

Conde é um município brasileiro que abriga uma comunidade quilombola, assentamento tradicional que merece proteção e cuidados do município, do estado e do Governo Federal. Esta comunidade, pelas suas singularidades culturais, apresenta, na atualidade, um tipo muito específico de morfologia espacial. A excepcionalidade deste espaço e a importância cultural da comunidade foram balizas importantes para a concepção do Projeto em Estudo Premilinar para a Unidade Básica de Saúde da região. 

Memorial do projeto

1. Técnica construtiva Um consenso inicial da equipe foi a constatação de que a escolha da técnica construtiva era um elemento fundamental para o desenho da espacialidade da proposta a ser apresentada. As Unidades Básicas de Saúde são postos de atendimento com equipe reduzida, e possuem o objetivo de atender a população brasileira em uma escala local, onde os grandes centros médicos não estão estabelecidos. Dada a escala nacional, muitos desses projetos são elaborados com orçamentos limitados. A proposta da equipe procurou, portanto, a elaboração de um projeto de alta qualidade, mas com execução simplificada. Foram escolhidas lajes prémoldadas e uma estrutura que é, em grande parte, executada em estrutura metálica - solução que permite rápida montagem e que possui preço global competitivo. Também entrou nas considerações as dificuldades encontradas por obras de concreto armado moldado in loco em determinadas localidades mais afastadas do país.

2. Térreo livre A concepção de um térreo livre, utilizado na proposta como estacionamento, local de convivência e acesso, foi uma diretriz importante para a proposta. A equipe considerou que o edifício da Unidade Básica de Saúde não deveria ‘pousar’ sobre o solo, considerando que é uma estrutura que se diferencia das espacialidades tradicionais da comunidade, mas se manter afastada do chão. O chão desse local pertence à população que ali habita tradicionalmente, e pareceu muito oportuno manter este espaço livre, mantendo uma diferença entre um projeto que é uma UBS e o local.

 

3. Analogia Uma possível ideia para a concepção de um projeto de Unidade Básica de Saúde seria a elaboração de um projeto que ‘dialogasse’ com as técnicas locais, estabelecendo ‘formas análogas’ e criando uma espacialidade que ‘respeitasse o local’. A equipe logo tratou de descartar essas primeiras premissas de projeto. Em primeiro lugar, pois pareceu datada e parcialmente equivocada a ideia de diálogo a partir de formas existentes. O que exatamente isso significa? Um reprodução ‘estética’ da ambiencia local? Nos pareceu que a reprodução estética não apresentaria qualquer maior contribuição ao espaço além de simbolizar de maneira fetichizada um tipo de construção local. Também não nos conveceu a ideia de que a população que habita a área do projeto compreendesse essa operação e a considerasse uma boa perspectiva de projeto - já que, para os moradores, o que ali interessa é uma unidade que preste atendimento ambulatorial e médico de qualidade.

4.Espaço A concepção partiu, portanto, não de um objeto que fizesse algum tipo de analogia ao local, mas sim de uma edificação que pudesse construir um bom espaço para as atividades a serem realizadas na Unidade Básica de Saúde. Para isso, foram especificados espaços generosos, bem ventilados e que dispensam de uso de ar condicionado. Também foram desenhados com muito cuidado as áreas de circulação que, no caso do projeto apresentado, acontece de maneira invertida: os corredores cirluam o projeto e o programa localiza-se no centro. Essa é uma solução arquitetônica muito interessante, pois permite corredores ventilados e sempre iluminados, além de possibilitar vistas agradáveis para o entorno da edificação.